
Antes da prova ao ver o Rubens Barrichello caminhando pelo grid de largada deu para ver que a arquibancada da reta principal, uma das duas que há no suntuoso circuito, estava com menos da metade de sua capacidade. Tudo muito bonito, Paddock luxuoso, avião da Gulf Air sobrevoando o circuito, entre outras maquiagens. Isto prova que o GP do Bahrein realmente é um evento para poucos. Com “poucos” quero dizer a turma do rei e convidados de patrocinadores, e só. Também no grid de largada, quando Barrichello conversou com Sergio Perez, ficou claro que o mexicano, piloto da McLaren com a pior performance em começo de temporada desde Michael Andretti, estava muito apreensivo. Era apenas um sinal de algo iria ser protagonizado por ele… O que realmente aconteceu.
Mas vamos à corrida. Antes da largada a Globo (leia-se Galvão Bueno) frisou, duas ou três vezes, que a corrida estava na mão da Ferrari. Pra falar a verdade, minha expectativa era de que Alonso andasse bem, mas não o suficiente para bater a Red Bull de Vettel. Foi a impressão que tive pela classificação do sábado. Logo na largada deu para ver o ímpeto do espanhol, passando Vettel na primeira curva e dando sinais que iria lutar do começo ao fim. A alegria durou pouco, com Vettel devolvendo a ultrapassagem logo na terceira curva e indo para cima de Rosberg que, desde a largada, já dava sinais que não iria muito longe.
Massa mais uma vez largou mal, perdendo posições ainda na primeira volta. Lá na frente, Di Resta seguia bravamente na quarta posição, confirmando a ótima performance mostrada nos treinos. E a turma do meio pra trás seguia na “porradaria” (no bom sentido), lutando por posições, e com os novatos aprontando.
Depois de passar Alonso e Rosberg, Vettel começou a desaparecer. Alonso tentava vir na balada do alemão, até que na sexta volta a bendita asa traseira deu problema. O Galvão só foi perceber no final da sétima volta, quando o espanhol entrou nos boxes para que os italianos dessem uns tapas para fazer asa fechar de novo. Não adiantou nada. A corrida do espanhol, que já tinha ido pro saco, ficou pior ainda quando ele teve que voltar aos boxes para fechar a asa. Ou seja, com a péssima largada de Massa e o problema da asa móvel de Alonso, a corrida que “estava nas maõs da Ferrari” foi pro beleléu.
Algumas observações que anotei com o passar da corrida:
- O coitado do Rosberg se arrastava com uma Mercedes muitíssimo abaixo da performance esperada. Ele tentava fechar a porta para impossível segurar a turma que vinha babando pra cima dele.
- Esteban Gutierrez, que já tinha feito cáca nas últimas duas corridas, aprontou mais uma vez. Ontem foi com as Caterhams. Logo no comecinho, o novato mexicano colocou o carro onde não dava e, numa cena típica de acidente de trânsito, lá se foi o bico da Sauber.
- O compatriota dele, Sergio Perez, demonstrando toda a pressão sentida na McLaren, vinha guiando com uma agressividade absurda. Alguns colunistas disseram que Perez guiou muito ontem, lutando por posições e resistindo bravamente às ultrapassagens. Para mim, ele foi passou do limite com Button, tocando o carro do companheiro de equipe algumas vezes. Perez poderia ter jogado a corrida dos dois fora. A cara de Martin Whitmarsh vendo a disputa de dois pilotos era impagável. Mais no final da corrida, Perez ainda forçou Alonso para fora da pista. Só para constar, o bilionário Carlos Slim, que bancou Perez e Gutierrez até a F-1 estava no circuito, o que serve para explicar o comportamento do mexicano.

Acima, Perez e Button no começo do ano durante a apresentação do carro da McLaren. Acho que depois do Bahrein a relação dos dois não é mais só sorrisos.
- Massa tentava se recuperar das posições perdidas na largada mas um pneu furado também acabou com a corrida dele. As coisas para a Ferrari não foram fáceis no final de semana. Felipe não guiou mal, mas simplesmente não se adapta aos pneus.
- Depois de três paradas logo no começo da corrida Alonso vinha se recuperando, ganhando muitas posições. Isto pode parecer normal, uma vez que a Ferrari demonstrou ser rápida. Mas lembre-se de que o espanhol não podia contar a asa móvel, o que dificultou bastante sua vida, sobretudo no final com Perez.

Raikkonen chegou num excelente 2º lugar após estar em 9º durante a corrida.
Lá na frente Vettel sumiu. O único que fazia tempos de volta parecidos com os do Alemão era Alonso. O que me leva a pensar que ele poderia ter beliscado um segundo lugar. Acho que teria sido difícil a vitória. Vettel guiou de forma soberba. Soube aproveitar o excelente acerto do carro e simplesmente não cometeu erros. A vitória foi preciosíssima para o campeonato.
No mais, a corrida realmente teve muitas ultrapassagens. Mas isto tudo graças ao sistema DRS, que é uma covardia, diga-se de passagem. Era só o cara entrar na reta próximo do carro da frente e apertar um botão para o carro voar. Dava até dó que quem tentava se defender. Acho estas coisas muito artificiais.
Vettel levou mais uma, seguido de Raikkonen e Grosjean. Mérito para os pilotos da Lotus que guiaram muito bem, e para a equipe que fez um carro muito equilibrado e que gasta muito menos pneus do que a concorrência. Uma curiosidade: o GP do Bahrein repetiu o pódium do ano passado. Não lembro a última vez que isso aconteceu na F-1. Alguém aí se lembra?

Coincidência: o pódium deste ano foi exatamente igual ao do GP do Bahrein de 2012.